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No Recife, pneus podem ser transformados em gasolina

Descoberta de pesquisadores recifenses pode mudar a forma de produção e consumo de combustível no mundo

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postado em 05/05/2018 16:01 / atualizado em 08/05/2018 09:47 Gabriela Bento


 

Procedimento extrai gases capazes de serem utilizados como energia limpa. Foto: Shilton Araújo / Divulgação - Procedimento extrai gases capazes de serem utilizados como energia limpa. Foto: Shilton Araújo / Divulgação
É verdade que qualquer intervenção que fazemos na natureza, por menor que seja, impacta o meio ambiente. Tratando-se do universo automotivo, é urgente repensar as formas de aproveitar os recursos naturais, produzir e utilizar. Procurar novas soluções para minimizar os danos que as nossas ações podem causar é uma alternativa. Os pesquisadores Flávio Ferreira, doutor em tecnologias energéticas nucleares pela UFPE, Renê Jorge, especialista em energia, e Cesar Dionisio, especialista em pirólise, reaproveitam pneus descartados, que levariam cerca de 600 anos para se decompor, transformando-os em gasolina.

Não é bruxaria ou mentira, é ciência. O projeto dos pesquisadores mostrou que é possível converter pneus velhos em combustível - e que funciona. A gasolina advinda do pneu descartado possui um índice de octanagem de 79,6, índice de resistência à detonação de combustíveis usados em motores no ciclo de Otto, como gasolina, álcool, GNV e GPL Auto. O índice da gasolina comum é de 80, mas este tipo de combustível não é puro. “A gasolina que produzimos é muito parecida com a comum. A diferença é que o combustível comercializado tem álcool na composição e a nossa, não”, explica Flávio.

Para toda a magia acontecer, pode até parecer complexo, mas o processo é simples. Segundo Ferreira, os arames são retirados, os pneus são triturados e pirolisados no reator. Através do procedimento, são extraídos gases capazes de serem utilizados como energia limpa para o processamento. O sistema não é poluente, pois o mesmo é hermeticamente fechado e com ausência de oxigênio gasoso, evitando, desse modo, uma possível explosão.

Gasolina do pneu tem índice de octanagem de 79,6. Foto: João Velozo / Divulgação - Gasolina do pneu tem índice de octanagem de 79,6. Foto: João Velozo / Divulgação
O líquido escuro extraído é destilado e, finalmente, transformado em gasolina. Do óleo escuro retirado do processo, além do combustível, sai óleo CBO, que pode ser utilizado, por exemplo, em uma usina estacionária, transformando o vapor em energia. O negro de fumo, também extraído do reator, é muito usado como pigmento de tintas e matéria-prima no ramo automobilístico, como, por exemplo, nos painéis de carro. “Todos os componentes podem ser aproveitados e comercializados”, conta o Professor Flávio.

DESCARTE
De acordo com os pesquisadores, o estudo traz outros benefícios para o meio ambiente. O projeto pode oferecer considerável redução do acúmulo de pneus descartados em lixões e rios ou queimados em terrenos, que provoca a poluição do ar e do solo, além da proliferação de mosquitos Aedes aegypti.

Segundo o relatório pneumático divulgado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em 2016, a produção mundial de pneus chegou a 2,8 bilhões de unidades, dos quais aproximadamente 760 mil toneladas de pneus inservíveis foram produzidos no Brasil. O relatório de 2017 ainda não foi fechado.

Hoje, a Resolução Conama nº 416/2009 estabelece que para cada pneu novo de reposiçao comercializado, as empresas fabricantes ou importadoras devem descartar adequadamente um pneu inservível. Conforme o Ibama, apenas 6,74% da reciclagem de pneus no país é feita no Nordeste.

 

 

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