Zunzunzum

Quando o boato pega a estrada

Burburinho de possível nova greve de abastecimento tomou a cidade, na última semana. Perceber o que é uma fake news é essencial

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postado em 10/09/2018 10:13 / atualizado em 10/09/2018 11:32 Alvaro Ferraz


Motoristas fizeram fila nos postos após zunzunzum de nova greve dos caminhoneiros. Foto: Nando Chiappetta/DP - Nando Chiappetta/DP Motoristas fizeram fila nos postos após zunzunzum de nova greve dos caminhoneiros. Foto: Nando Chiappetta/DP

 Dizem que notícia ruim circula rapidamente. Desinformação, então, nem se fala. Um estudo realizado por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, aponta um dado preocupante: notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras. São as chamadas fake news - num linguajar mais simples: boatos.

 
Por aqui não faz muito tempo que se ouve falar nesse termo inglês. Da última eleição americana pra cá, a frase viralizou. Na corrida eleitoral, e mesmo após assumir o governo, o presidente Donald Trump passou a usar a expressão para atacar a imprensa. Mas o que isso tem a ver com automóveis? Se boatos ajudaram a eleger o atual chefe do executivo dos Estados Unidos, imagina o que eles podem fazer com outras áreas, situações e temáticas?

 
Justamente no último final de semana, uma rede de postos divulgou na Internet a “notícia” de uma possível nova greve dos caminhoneiros convocada para a madrugada da segunda-feira passada (3). No comunicado, a empresa disse que apesar de não ter uma confirmação a respeito da paralisação, eram “fortes as evidências” dela acontecer. Aconselhou seus clientes, então, a deixarem os veículos abastecidos, no intuito de evitar os mesmos transtornos e caos provocados pela greve no primeiro semestre do ano.

 
Não deu outra. Poucas horas após a nota, muita aflição e correria. Motoristas formaram enormes filas em postos do Grande Recife. Foi o caso de Ylanne Silva. A técnica em enfermagem conta que recebeu o boato pelo Instagram. Na dúvida da veracidade ou não, acabou replicando a informação e saiu às pressas de casa. Enfrentou cerca de uma hora e meia em duas filas de dois postos distintos, em Jaboatão dos Guararapes. “Preferi enfrentar as filas para poder garantir pelo menos sete dias com a gasolina no carro para poder trabalhar”, justificou. Por causa da fake news, desembolsou R$ 150 no abastecimento. Já empresa Mega Postos, responsável por compartilhar a possível greve, foi notificada pelo Procon-PE e multada em R$ 1 milhão.

 
Esta não é a primeira vez que uma notícia falsa em torno do mundo automotivo circula nas redes sociais. A Internet, inclusive, é um terreno fértil para para a sua ‘plantação’. É tanto que as gigantes Google, Twitter e Facebook já anunciaram mudanças significativas para conter as notícias falsas. No início do mês passado, uma corrente sobre “novos valores de multas de trânsito” virou corrente de WhatsApp. O texto informava o aumento significativo no valor das infrações. Todavia, a última modificação no Código de Trânsito Brasileiro aconteceu em novembro de 2016 através da lei 13.281.

 
O conteúdo falso da mensagem continha não só valores errados (muitos mais alto do que realmente são), mas até infrações não existentes na lei, como insulto entre os motoristas e multa para condutores que deixassem de renovar a carteira. Neste último caso, na verdade, há infração nos casos em que o motorista é pego dirigindo com a CNH vencida há mais de 30 dias.

 
Aqui no Brasil não há uma legislação específica que puna pessoas que produzam e compartilhem notícias falsas. Mas, ‘colocar o boato na estrada’ e anunciar perigo inexistente ou mesmo praticar ato que resulte em pânico ou tumulto é crime previsto no Art. 41, da Lei de Contravenções Penais (LCP). Pena vai desde prisão simples - de quinze dias a seis meses - à multa.
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