TRÂNSITO

Carona solidária: a tecnologia a favor da mobilidade urbana

Aplicativos auxiliam na diminuição do tráfego de automóveis e ajudam o bolso do motorista

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postado em 27/08/2018 07:46 / atualizado em 27/08/2018 08:30 Alvaro Ferraz


Brasil possui mais de 51 milhões de veículos; 8 milhões circulam apenas com o motorista. Foto:  Rafael Martins/ Esp. DP -  Rafael Martins/ Esp. DP Brasil possui mais de 51 milhões de veículos; 8 milhões circulam apenas com o motorista. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP

Quando o assunto é trânsito, muitas são as coisas que passam pela cabeça. Carros, motocicletas, ônibus, placas, sinais, buzinas e congestionamento são algumas delas. Este último, nem se fala. O trânsito travado já faz parte de muitas capitais brasileiras. Conhecido por seu bairrismo – maior carnaval, maior avenida em linha reta, e por aí vai –, o Recife tem agora o trânsito nessa lista de “boçalidade”. É que a capital pernambucana possui a pior volta para casa do país, de acordo com uma pesquisa da empresa de aplicativo “99 táxis e 99 pop”. E por falar em app’s de viagens, outra alternativa para a mobilidade urbana é a carona compartilhada.
 
Assim como os trens, metrôs e corredores de ônibus, a carona compartilhada (CC) é uma maneira de diminuir o fluxo e o tráfego de automóveis particulares, além de melhorar a qualidade de vida das pessoas, ao colaborar na redução da poluição. A ideia da CC é simples e útil: compartilhar o carro com um colega de trabalho ou vizinho que mora perto de você. E mais, se ambos têm carro, poderão optar por um rodízio. Assim, o veículo servirá para além do motorista e a quantidade de caronas/lugares do carro poderá ser proporcional à redução de carros circulando no trânsito.

 
De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o Brasil possui mais de 51 milhões de veículos. Oito milhões deles, para se ter uma ideia, trafegam apenas com o motorista. É essa realidade de um único ocupante que a carona compartilhada quer mudar. Com ela, é possível reduzir não só a frota, mas o gasto com vaga e combustível, por exemplo. Hugo Torres, estudante de medicina numa faculdade particular na zona sul do Recife, mantém a prática adotada desde a época do cursinho: dá caronas aos colegas e em troca eles lhe pagam um valor. “Cobro uma taxa de R$ 150 para gasolina e estacionamento mensal da faculdade”, conta. São quatro coronas. Ele as pega num ponto de referência e na volta deixa todas em casa.

 
Já Felipe Pinheiro Farias, calouro do curso de direito da UFPE, é a primeira vez que ele dá carona e diz não ver motivos para cobrar nenhum valor para os novos colegas. “Geralmente vem duas a três pessoas e eu não cobro nada a ninguém porque eu teria que fazer o caminho que faço mesmo, então, para mim, não tem diferença nenhuma”. Ele acredita que à medida que for conhecendo outras pessoas, a mais gente ele dará carona. Criar novas amizades também é uma das vantagens da carona compartilhada.

 
No Brasil e em outros países, já existem aplicativos para o compartilhamento da carona. Se assemelham aos próprios aplicativos concorrentes do táxi. Tudo é rachado - dividido entre todos os integrantes do carro. É a tecnologia atrelada à melhoria da mobilidade urbana, comodidade e bolso do passageiro. 

 
Nesta semana o aplicativo Waze anunciou a chegada do “Waze Carpool” no Brasil. A função é permitir justamente as caronas entre pessoas com trajetos semelhantes. Elas podem dividir os custos e também acertar viagens com até cinco dias de antecedência. Como a novidade ainda está em fase inicial, a carona custa R$ 2 para quem pede. Para quem dá, recebe o valor integral de R$ 4 em trajetos com menos de 5 km e R$ 10 em distâncias entre 5 km e 40 km.

 
No Recife, já existe um app genuinamente pernambucano. O “Bigu” permite o compartilhamento de caronas entre estudantes, professores e funcionários da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). O aplicativo funciona desde novembro de 2016 e foi desenvolvido por seis estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Quem o utiliza pode conquistar pontos no sistema e mais tarde trocá-los em estabelecimentos parceiros do app. Também no estado, há grupos de caronas no Facebook, onde moradores de cidades do interior combinam caronas para ir, por exemplo, à capital. Também há grupos entre as capitais como Recife e João Pessoa e Recife-Natal.

 
Durante a greve dos caminhoneiros, que ocorreu em maio deste ano, a carona compartilhada mostrou-se uma alternativa de mobilidade muito válida. De acordo com a plataforma de caronas “BlaBlaCar”, o número cresceu 20% entre todos os usuários do país. É preciso, antes de tudo, claro, de um carro, mas também de comunicação para fazer o compartilhamento da viagem acontecer.
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