Tecnologia

Carros como data centers

Cerca de 55% das vendas de novos veículos incluem o leque de serviços de conexão. A realidade é vigente e a tecnologia só se aprimora

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postado em 23/04/2018 14:35 / atualizado em 23/04/2018 17:48 Thainá Nogueira /Diario de Pernambuco


Os carros autônomos já são realidade e isso não é novidade. Cada vez mais as empresas montadoras de veículos e da área de tecnologia estão apresentando avanços para a produção em larga escala de carros que conseguem dispensar a necessidade de um motorista sob o volante. No entanto, caminha a passos largos a populariedade dos semiautônomos. É que as montadoras de luxo apresentaram nos últimos meses e anos veículos que contam com tecnologias que estão no caminho da pósmodernidade. Audi A5, BMW Série 5, Mercedes-Benz Classe E e Volvo XC90 são exemplos disso. Eles vêm de série com softwares que permitem acelerações, freios, manter distância segura para o veículo a frente, ficar dentro da faixa e fazer certas curvas, dentro de certos limites. Tudo independentemente do motorista. Além dos veículos premium, cerca de 55% das vendas de novos veículos incluem o leque de serviços de conexão. Mas como funcionam esse softwares e de que eles são realmente capazes?

 

Silvino / Arte / DP
 


De acordo com a empresa de pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos Gartner, um em cada cinco veículos será equipado com alguma forma de conexão sem fio até 2020, que devem totalizar cerca de 250 milhões de veículos globalmente. E essa meta não é utópica. Isso porque na União Europeia, por exemplo, o sistema de chamadas de emergência eCall em todos os carros vendidos por lá já virou obrigatoriedade.


O diretor da divisão de TI da T-Systems, A T-Systems Brasil, companhia que atua na área de soluções digitais e serviços de TI, François Fleutiaux, acredita que os carros estão se tornando data centers sobre rodas e lembra que há um consenso entre especialistas de que empresas com capacidade de coletar, integrar e analisar estes dados com inteligência estarão entre os vencedores da revolução digital. “Estas empresas serão capazes de melhorar a eficiência de uma série de processos e de abrir novas possibilidades de vendas com serviços inovadores”, prevê.


Muitos dos carros fabricados atualmente contam com mais de 100 sensores embarcados, capazes de monitorar permanentemente itens como velocidade, temperatura do motor e funcionamento dos freios, coletando para isso uma série de outras informações. Estes sensores fazem com que estes automóveis produzam cerca de 25 GB de dados por hora. Em se tratando de carros autônomos, a previsão é de que este volume salte para 3.600 GB por hora.
O executivo afirma que, neste momento, a criatividade torna-se o recurso mais importante, permitindo às empresas desenvolverem novos serviços, modelos de negócio e fontes de receita baseadas em dados veiculares. “Na verdade, pode ser o início de uma corrida do ouro moderna, porque no futuro será possível fazer mais dinheiro a partir dos dados veiculares do que da produção em si”, prevê.


Fleutiaux afirma que a margem de lucro dos fabricantes de automóveis geralmente gira em torno de 10%. Por outro lado, a margem de empresas especializadas em processamento de dados, é de cerca de 30%.  Esses número podem ser responsáveis por gerar uma real competição no mercado sobre o uso comercial de dados veiculares. “Fabricantes, fornecedores e startups estão considerando as oportunidades e enfrentando a competição de empresas de outros segmentos, como a Apple e o Google, que já descobriram o potencial deste mercado e têm conhecimento e musculatura financeira para agitá-lo. A luta pelos dados automotivos está apenas começando”, conclui o executivo.

 

 

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