Energia limpa

Mercado de elétricos em Pernambuco está longe de ser o ideal

Frota de 2.500 veículos elétricos e híbridos ainda é minoria no Brasil, que tem pouco incentivo para a produção e desenvolvimento

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postado em 01/09/2016 13:35 / atualizado em 01/09/2016 14:32 Taciana Góes /Diario de Pernambuco

Parafraseando Lulu Santos, o Brasil avançou “em passos de formiga e sem vontade” no segmento automotivo elétrico e híbrido desde 2010, quando iniciou a venda de carros do tipo no país. Em São Paulo, onde acontece o 12º Salão Latino Americano de Veículos Elétricos de hoje até sábado, os carros têm 50% no valor do IPVA. Aqui no Recife, não há nada do tipo. As montadoras, em geral, têm caminhado pouco neste sentido e aguardam incentivos. Apenas Ford Fusion Hybrid, Toyota Prius, Lexus CT 200h, BMW i3 e i8 transitam pelas ruas do país carregados pela tomada, como veículo de produção.

 

Fusion Hybrid é um dos mais econômicos - Ford / Divulgação Fusion Hybrid é um dos mais econômicos
 

 

Com uma frota atual de 2.500 carros (sendo 2.200 híbridos), o território nacional é carente de políticas públicas voltadas para estimular a produção e comercialização desses automóveis, de acordo com o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) Ricardo Guggisberg. “Ainda é tudo muito tímido. Não há perspectiva de melhoras, enquanto em outros países já é uma realidade. Precisamos trocar essa frota atual por veículos sustentáveis”, reclama Guggisberg em entrevista ao Diario/Vrum. Sequer temos uma planta industrial de veículos eletrificados…

 

Alguns estados dão isenções no IPVA e, no ano passado, os elétricos ou movidos a hidrogênio passaram a não pagar o imposto de importação (alíquota de 35% cobrada para os modelos que entram no Brasil), que variam de 0% a 7%, de acordo com o consumo. Mas fora isso, a compra de um “popular elétrico-híbrido” não sai por menos de R$ 170 mil.

 

Veículo compartilhado no Recife é carregado - Annaclarice Almeida / DP Veículo compartilhado no Recife é carregado

 

Levando em conta a ausência de postos de abastecimentos, a falta de adesão das seguradoras (nenhuma assegura um modelo do tipo) e o alto preço, o consumidor precisa estar com muita disposição financeira e ecológica para mudar de segmento. A meta, segundo Ricardo, é ter um veículo com padrão nacional de até R$ 90 mil. “Para tornar o elétrico acessível”, afirma Guggisberg.

 

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale, reconhece a produção como uma realidade distante, mas é um pouco mais otimista. “Não temos um programa sustentável de produção e vendas no país. O governo, para estimular o uso do carro elétrico, teria que conceder subsídios para diminuir o preço. Ainda é uma tecnologia muito cara. Acredito que em cinco ou sete anos a produção em escala desses veículos seja viável”, disse Megale.

 

Prius híbrido chegou à quarta geração ano passado - Toyota / Divulgação Prius híbrido chegou à quarta geração ano passado
 

 

Enquanto Japão, China, EUA e Europa avançam com a tecnologia, no Brasil sequer há fábricas voltadas para a produção de baterias de carros elétricos. “É tudo muito insipiente. Aqui as montadoras só apostam nos veículos luxuosos por causa do alto custo”, remenda Guggisberg, da ABVE.

 

Vale ressaltar que a diferença entre os elétricos e os híbridos é que estes últimos funcionam com uma combinação de motores elétricos com um movido a combustível fóssil, que faz com que eles consumam e poluam menos que os convencionais. Há duas opções apontadas para um futuro breve, o Nissan Leaf e o Renault Twizy.

 

BMW i3 é um dos mais em conta, perto dos R$ 180 mil - Jorge Moraes / DP BMW i3 é um dos mais em conta, perto dos R$ 180 mil
 

 

Outro passo dado pelo governo brasileiro, em março, foi um acordo de cooperação técnica com a Alemanha para aprimorar o desenvolvimento e a implantação da eletromobilidade. Os investimentos alemãs são de 5 milhões de euros.

 

Lexus CT 200h já foi testado pela equipe do Vrum - Bruno Vasconcelos / DP Lexus CT 200h já foi testado pela equipe do Vrum
 

 

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Recife
A capital pernambucana está dentro da discussão. Pioneira em compartilhamento de carros desde o ano passado, a cidade recebeu três veículos elétricos com ar-condicionado, autonomia de 60 km e espaço para duas pessoas. O projeto é do Porto Digital e já contabiliza 1.300 viagens (cerca de 6/dia). “Todo o carro é acionado através de um smartphone. Reabastecemos toda a noite e até hoje as baterias não foram trocadas”, conta a coordenadora Cidinha Gouveia. Toda a tecnologia, inclusive o app, foi desenvolvida em Pernambuco pela Serttel, do parque digital. Fortaleza está lançando 20 carros com o mesmo sistema.

 

Recife é a cidade pioneira em compartilhamento de carros elétricos - Annaclarice / DP Recife é a cidade pioneira em compartilhamento de carros elétricos
 

 

Leves
Enquanto o setor quatro rodas engatinha, bikes, diciclos, monociclos e skates elétricos começam a aparecer no mercado como opção de mobilidade. Por cerca de R$ 2,5 mil é possível comprar um diciclo com velocidade de 20 km/h, motor de 350w e uma bateria de lítio de 36V.
Já a bike elétrica, de 350 w e com autonomia de 30 km, custa quase R$ 4 mil.

 

Bike elétrica de 350 wats tem autonomia de 30 km - Abve / Divulgação Bike elétrica de 350 wats tem autonomia de 30 km
 

 

Salão de elétricos
Na 12ª edição, o evento reúne as novidades dos veículos elétricos e híbridos, palestras, lá no ExpoCenter Norte (São Paulo). Usuários vão contar experiências, serão abordados sobre os sistemas compartilhados e a urgência de reduzir o CO2 no trânsito. Pegando carona, o Movimento Paulistano do Veículo Híbrido e Elétrico (sim, existe!) reuniu quase 60 veículos e realizou uma carreata no último fim de semana. Ônibus, skates, carros, bikes, diciclos e scooters, todos elétrícos e/ou híbridos participaram.
Mais informações: velatinoamericano.com.br



 

Tags: europa

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